C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley


SOLIDÃO
Perambulo sombrio e essa melancolia
Aumenta o vil tormento que vem me enervando
Nas madrugadas tristes que eu fico vagando
Torcendo pra que a noite suma e venha o dia.
O vento que assobia e à ilusão dá asa
Recita-me poemas cheios de magia
Acompanhado pela tênue sinfonia
Dos grilos que gorjeiam em volta da casa.
O espelho me assusta e eu vejo ante o palor
Do corpo que falece à míngua nessa dor
O que restou de um ser que nem vida tem mais...
E não há curativo pra minh’alma triste
Porque saudade é nós pensarmos que inda existe
O que o tempo acabou e não existe mais.
Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 18/01/2008
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