C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley


ALMA TRISTONHA
O teu olhar distante denuncia que algo
Não anda de acordo com as tuas vontades
E eu sinto que a angústia e as infelicidades
Habitam no teu corpo e em teu estro fidalgo.
Teu riso não transmite o que tu’alma sente
E mostra um amargor que tão somente eu vejo
Pois mesmo que tua boca profira algum beijo
O mesmo é dado frio – O coração não mente!
Por onde anda aquela mulher combatente?
Indômita, guerreira, forte e efervescente
Que dava a mão a todos lhes doando amor...
Ressurja dessas cinzas, drible a frustração!
Indestrutível fênix – Dê-me tua mão
E divida comigo teu fardo de dor.
Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 18/01/2008
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