C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley


AMOR DE VIDRO
Nos conhecemos nesse mundo virtual E logo nos tornamos cúmplices e amantes A ponto de passarmos todos os instantes Fugindo dos problemas do mundo real... Achávamos que havíamos nos completado E aqui confabulávamos nossos segredos, Falávamos de planos, de sonhos, de medos, Problemas do presente e males do passado... Porém tudo acabou nas bordas de um cinzeiro, Sem pele, sem saliva, sem toque e sem cheiro, Sem beijos, sem sussurros, sem gritos de ardor! O nosso amor morreu como fora criado; - Nas teclas epiléticas do meu teclado E no mundo ilusório do meu monitor... Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 15/01/2008
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