C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley

Nizardo Wanderley

Cavaleiro Solitário

Textos


VIÚVA-NEGRA
 
Forrando a sua cama com cetins do Egito
E perfumando o corpo com essência francesa
Devora corações em sua sobremesa
E aprisiona almas com o olhar maldito...
 
Não ama nem a si própria, já que se atira
A todos os que a cercam e prometem amores
Sem saberem que estão à beira de amargores
E em breve sentirão o fel da sua ira.
 
No fundo é uma vítima, pobre coitada!
A sua vida é pálida, triste e enlutada,
Cercada de vazio, angústia e depressão...
 
E nunca há de encontrar seu lenitivo porto
Havendo de carpir o eterno desconforto
Nas gélidas muralhas do seu coração!
 
 
Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 28/12/2007
Alterado em 03/11/2012


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