C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley


Duas Almas
Quando o destino traz nova paixão E a flor do amor com ardor se perpetua A alma, outrora aflita, e agora nua Saltita em sonhos pela imensidão.
E nada pára a tara exposta ao beijo Sob o efeito lírico e estático De um frenesi recôndito e orgástico Sentido nas entranhas do desejo.
E aquelas almas que vagavam sós Presas à linha de um cruel retrós Que as impedia de serem felizes
Deram-se as mãos criando os anticorpos E se unirão, num só corpo, esses corpos Que farão das feridas cicatrizes. Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 15/11/2023
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