C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley

Nizardo Wanderley

Cavaleiro Solitário

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C'est Fini...

O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro

Desabrochou e permitiu que os beija-flores

Partissem sem deixar vestígios nos sensores

De presença, no vão sombrio que administro.

 

Recolho-me à minha insignificância

E inundo com meu pranto o páramo sidéreo

Que me devolve em canto lírico e funéreo

Os restos do que eu fui ecoando na distância.

 

E assim hei de vagar por toda eternidade,

Mascote do fracasso e escravo da saudade

Com o âmago sangrando a tiritar de frio

 

Convivendo em necrópoles com os que morreram

Em vida e suas células apodreceram

À sombra cruciante do cipreste esguio.

Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 21/10/2023
Alterado em 15/09/2026


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