C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley

Nizardo Wanderley

Cavaleiro Solitário

Textos


AGRURA

 

A protetora mão que te afagava o rosto,

Passeava em teu corpo com mimo e acalanto

Hoje serve somente pra secar meu pranto

E orar a Deus que cure esse infernal desgosto.

 

Hoje sou "tanto faz" para o teu Ser que um dia

Eu "tanto fiz" e fui muito feliz pensando

Que aquele amor sagrado seguiria andando

Nas laudas da felicidade e da harmonia.

 

Mas tudo nessa vida tem começo e fim...

Se não estou em ti, nem tu estás em mim

Devo esquecer-te e sepultar a minha dor

 

Deixando em tua derme o derradeiro abraço

Emoldurado pelo pranto e o cansaço

Que dão espinho à alma que te oferta flor.

Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 28/08/2023


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