C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley

Nizardo Wanderley

Cavaleiro Solitário

Textos


CONSUMMATUM EST
 
Se queres ir, que partas logo! E segue os teus
Caprichos juvenis, palpites infundados,
Más companhias, ira e conselhos errados
Que afastarão teus olhos dos olhares meus.
 
Se queres me deixar que o faças, pouco importa
Se eu ficarei chorando pela madrugada
Mas de uma coisa saibas: Serás sepultada
Depois que atravessares essa horrenda porta.
 
Eu passarei três dias ou quatro de luto
Como um viúvo inconsolável e insepulto
Carpindo o grande amor que foi minha alegria
 
Porém esperes um grande soco de luva;
- Procurarei amar, quem sabe, outra viúva,
Após a tua missa de sétimo dia.
 
 
Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 19/12/2007
Alterado em 22/02/2015


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