C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley

Nizardo Wanderley

Cavaleiro Solitário

Textos

TEU CHORO

Chora teu choro, esplêndida madona,
E há nele as lágrimas fosforescentes
De amores ávidos e inconseqüentes
Que outrora foste amante, arfante e dona...

Maldito pranto que te causa mal,
- Sons tenebrosos vindos de um piano
Que ecoa em cárceres de desenganos
No interior da tua catedral...

Choro também, porém ninguém se importa;
- Quebrou-me à cara, o mundo com a porta
E antigos sonhos deram-me adeus...

Mas submeto-me nessa ânsia louca
A socorrer-te à alma com minha boca
Chorando teu pesar com os olhos meus...

 

Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 19/12/2007


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