C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley


E Se Eu Chorar?Sinal de que ainda existe neste peito Um velho coração no corpo de um crianço Assustado, febril, fechado pra balanço... Velando o conteúdo em tenebroso leito.
As lágrimas que escapam dos cansados olhos Denunciam a dor do corpo que falece Ao som da sepulcral e derradeira prece Rezada na amplidão dos tétricos escolhos.
Ninguém escuta o eco d'alma quando grita Esvaindo-se em sangue, combalida e aflita No vácuo da amplidão dos páramos sidéreos
E assim prossegue o negro féretro insepulto Embebido no pranto do terrivel vulto Que aguará as plantas dos jardins funéreos. Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 16/04/2023
Alterado em 16/04/2023 Comentários
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