C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley


Ponta NegraFim de tarde, o rei sol se distancia Para mais uma noite de descanso E as águas mornas, em feliz remanso Se acalmam mais e mais com a brisa fria.
O vento emite uma sagrada prece Às pobres almas que aqui se misturam, Choram baixinho e nesse ninho buscam Sanar com jeito o peito que padece.
E aqui deixemos nossas mágoas, dores Causadas pelos tétricos amores Que deram cria as ilusões perdidas
Daqui levando a fé e a vontade De abalroarmos com a felicidade E lhe entregar, em mãos, as nossas vidas. Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 03/03/2023
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