C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley


NOTÍVAGO
Café, cigarros, álcool, livros e tv
Deixaram de entreter o tédio e a saudade
Que vagam nessa casa com tranqüilidade
Buscando alguma coisa que lembre você.
A cama empoeirada vive entregue às traças
E os lençóis que cobriam corpos sedutores
São hoje peças negras de filmes de horrores
Assistidos nos palcos das minhas desgraças.
Insisto em não lembrar de lhe esquecer, por quê
Em cada vento frio eu lembro de você
E entre um cigarro e outro que eu vou devorando...
Na minha insanidade eu lhe quero e percebo
E em cada garrafa de álcool que eu bebo
Eu sinto a sua doce boca me beijando..
Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 15/11/2007
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