C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley

Nizardo Wanderley

Cavaleiro Solitário

Textos

COVARDE
 
Liguei pra tua casa, hoje, ao lembrar de nós,
Mas eu só soube mesmo tremer e suar,
Pois mesmo que eu tentasse o teu nome chamar,
A boca até lutava, mas cadê a voz?
 
Fiquei desconcertado, não pude esconder
O grau de desatino em que eu me encontrava
E uma amiga íntima que aqui estava
Correu com uma garapa pra me socorrer...
 
Ouvindo a tua ira, o pranto me invadiu:
- Alô, alô, alô, responde, ô imbecil,
Se não me responderes, vários nomes chamo!
 
E a única frase (em minha tremedeira)
Saiu por entre as lágrimas, feito torneira:
- Liguei para dizer o quanto inda te amo!
 
 
Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 10/11/2007


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