C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley


CAMPO SANTO
A dor que faz morada nesses cemitérios
Confunde-se com as flores, dando a impressão
Que na tristeza infinda da vaga amplidão
Camuflam a saudade em profundos mistérios.
Os sinos vertem lágrimas em sons funéreos
Mostrando-nos o quanto somos vulneráveis;
- U’a hora estamos em delírios infindáveis
- E n’outra a soluçarmos em planos sidéreos.
Choremos nossas perdas e aqui reflitamos
O quanto nos amaram e o quanto nós amamos
Esses que aqui descansam nas lápides pretas...
Um dia certamente nos encontraremos
E outros chorarão as dores que hoje temos,
Olhando-nos, jazendo nas mesmas gavetas...
Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 02/11/2007
Comentários
|