C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley

Nizardo Wanderley

Cavaleiro Solitário

Textos


ESPECTRO

Inerte, perambula o féretro insepulto
Como uma folha seca que o vento dirige
E a sua alma trôpega chora e se aflige
Com a aparência fúnebre do próprio vulto.

Seu silêncio gritante, arfante e sepulcral
Ecoa no explendor dos páramos sidéreos
Aonde os urubus em seus passos funéreos
Espreitam-lhe a carcaça na marcha final.

E assim, enfim, é o fim do mestre do fracasso
Que viu em seu destino inóspito e devasso
Seus sonhos mais simplórios serem destruidos

E em porões camuflados sob os labirintos
Foram tragados pelos fantasmas famintos
Dos pútridos amores não correspondidos.
Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 18/02/2021


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