C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley

Nizardo Wanderley

Cavaleiro Solitário

Textos


DATA FUNESTA
 
Nem sei se estás lembrada, mas faz hoje um ano
Que cinco letras frias, amargas e cruas
Deixaram nossas almas frígidas e nuas
No inexpressivo charco do meu desengano.
 
Apenas cinco letras devastaram tudo!
Vi minha silhueta tremular no orvalho
Com o corpo pendurado no estupendo galho
Do espírito castiço de um coração mudo.
 
Comprei aquele vinho que tu tanto amavas
E ao fatiar o queijo (aquele que adoravas)
O pranto copioso veio aos olhos meus...
 
Ao contemplar as chamas dessas cinco velas
Eu choro ao relembrar de todas as mazelas
Geradas no teu “sim” e ceifadas no “adeus”.
 
 
Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 01/11/2007


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