C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley

Nizardo Wanderley

Cavaleiro Solitário

Textos


TEMPOS IDOS...

Relembro-me com os olhos cheios de desgosto
Dos dias divinais da infância, onde eu passava
A ouvir lindas estórias que mamãe contava
Sentada junto ao berço me afagando o rosto.

As férias na fazenda e os banhos de açude,
Passeios a cavalo, oh, quantas diversões!
Retratos de família e tantas emoções
Que eu até hoje tenho, ou tive enquanto pude...

O tempo se passou e eu refresco a lembrança
Em cada brincadeira ou riso de criança
Que em cada anjo menino docemente flui...

Ao me projetar nelas adocico a vida,
Alimentando em mim a criança escondida
E a alma tão arteira que eu outrora fui...

 

Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 30/10/2007


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