C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley


LAMENTOS...
Deitei-me em outra cama e procurei sentir
A mesma sensação que em teus braços sentira...
Se eu disser que senti tu sabes que é mentira
Pois te adorando tanto eu não posso mentir.
Beijei diversas bocas, tive donas mil,
Porém nenhuma delas chegou aos teus pés...
Pois dentre mil mulheres sempre foste e és
A fêmea mais fogosa e a dama gentil...
E repeti centenas de vezes pra mim
Que quando eu te perdi antecipei meu fim
E quando foste embora o sol perdeu calor...
A lua me traiu e o mundo desabou,
O mar tornou-se lodo, a vida se encurtou,
E até o arco-íris perdeu sua cor.
Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 26/10/2007
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