C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley


MALOGRO
Eu sou um prédio em chamas que desmoronara
Em meio à negligência de alguns moradores
Que outrora prometeram pagar com os amores
Contratos de alugueis que a alma proclamara.
Alguns aqui moraram por bastante tempo
Honrando o compromisso feito ao coração,
Já outros me pagaram somente a calção
E usaram meu recinto como um passatempo.
Pior do que todo esse vasto prejuízo
Foi alguém que além de roubar o meu juízo
Ainda destruiu minhas instalações...
Deixando apartamentos, fantasmas, sem vidas...
Quebrando-me as escadas e abrindo feridas
Nos alicerces que eu ergui com as emoções...
Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 21/10/2007
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