C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley


INSÔNIA
A noite se aproxima e o medo apaga a fé
Que eu tenho de suprir tua terrível ausência...
E devo madrugar nessa cruel demência
Escravizado pelo cigarro e o café.
E em minha cama fria os fantasmas da dor
Vagueiam pelo quarto me causando espanto,
Restando-me somente debulhar meu pranto,
Encolhido, debaixo do meu cobertor.
Levanto-me no escuro, bato na parede!
E em outro quarto frio eu me deito na rede,
Julgando ter deixado os fantasmas na cama...
E eis que um deles diz em sussurrante voz:
- Amigo! Há um fantasma maior do que nós;
Teu coração que sofre por quem não te ama.
Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 17/10/2007
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