C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley


ESTRESSE
Meu dedo está pequeno de tanto discar
Pro teu celular mudo que nunca me atende
E nunca se preocupa nem me compreende
Nas horas que a saudade manda eu te ligar.
E isso me perturba e me faz tanto mal
Que quando eu te aciono, deitado na rede,
Atiro muitas vezes o meu na parede
Quando o teu celular cai na caixa postal.
No dia que eu pegá-lo vou abri-lo ao meio
E embora que tu aches esse gesto feio
Eu vou botar um ponto final nessa zorra...
Até que tu te toques e dê atenção
Retornes pelo menos uma ligação
E quando eu te ligar atendas essa porra!
Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 15/10/2007
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