C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley

Nizardo Wanderley

Cavaleiro Solitário

Textos


MIGALHAS
 
Às vezes eu me odeio e o nojo faz morada
Em cada vão centímetro da minha essência,
Já que esse sentimento chega a ser demência,
Pois te dou quase tudo e ganho quase nada.
 
Mas não posso querer que me queiras e insiras
Em tua mente o mesmo amor e intensidade
Que faz com que eu te ouça e creia nas verdades
Ditadas, e no fundo eu sei que são mentiras.
 
Dou-me por satisfeito com esse estranho amor!
Abraços sem quentura, beijos sem sabor,
Uma companhia que me aponta várias falhas...
 
E enquanto eu não consigo libertar meu ser,
Esquecendo de ti em vez de me esquecer,
Eu vou sobrevivendo das tuas migalhas.
 
Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 15/10/2007
Alterado em 17/10/2007


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