C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley

Nizardo Wanderley

Cavaleiro Solitário

Textos


CALOS DA ALMA...
 
Se hoje eu cambaleio inerte e solitário,
Descrente do que outrora eu tanto enfatizei
Não quer dizer que eu não te ame ou não te amei,
Apenas me rendi ao meu cruel fadário.
 
Nem choro, pois meu olhos não suportam mais
Verterem tristes lágrimas de desatino
Que lavam a calçada de um cruel destino
Com o sabão do desprezo e rodos lacrimais.
 
Mais não caí (ainda) me restam lembranças
E nelas umas gotas (poucas) de esperança
Guardadas no silêncio dessa imensidão...
 
Envoltas nas cobertas da eterna saudade
Dos labirintos feitos de inutilidade
Lacrados na masmorra do meu coração.
 
 
Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 13/10/2007


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