C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley

Nizardo Wanderley

Cavaleiro Solitário

Textos


RUÍNAS

Se o tempo corroeu alguns pilares
Que tinham salutar sustentação
Pra que ficar vagando entre os andares?
Devemos dar início à implosão!

Não deve sobrar pedra sobre pedra
Deixemos o baldrame e a caliça
Testemunhando o tédio que hoje medra
Em cima dessa areia movediça.

Aqui nasceram males e doçuras
Cresceram gratidões e amarguras
Momentos palpitantes, bons e ruins...

Que fiquem para trás os benefícios;
- Pois onde se semeiam maus princípios
Se colherão dificultosos fins!

 

Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 03/10/2007
Alterado em 15/02/2015


Comentários

Site do Escritor criado por Recanto das Letras