C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley

Nizardo Wanderley

Cavaleiro Solitário

Textos


ÀS TRAÇAS
 
Uns vivem na sarjeta sem lares,  sem mães,
E dormem ao relento - Pobres cães vadios!
- De noite seus corações a gritar de frio,
- De dia os seus estômagos gemem por pães.
 
Enquanto outros ostentam, passeiam de iates
E vivem pelo mundo torrando milhões
Com suas faces sempre à mostra em multidões
E suas crianças "chutando chocolates".
 
E o despautério leva minh'alma à descrença
Diante da miséria e vendo a indiferença
Que me corrói o ser e inunda os olhos meus...
 
Por onde se escondeu a nossa vã decência?
Será que se acabou a santa providência?
Cadê a divindade, enfim, onde está  Deus?
Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 03/10/2007
Alterado em 28/07/2014


Comentários

Site do Escritor criado por Recanto das Letras