C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley

Nizardo Wanderley

Cavaleiro Solitário

Textos


SAUDOSO
 
Estando aqui no topo das desilusões
Sentado no batente frio da incerteza
Eu mergulho no vasto campo da tristeza
E vejo um negro prado de recordações.
 
No trono que eu ocupo (feito de agonia)
Apoio-me na bengala das inverdades
E marcho passo a passo, rumo às falsidades
Que eu guardei num baú escrito: "fantasias".
 
Abro a porta composta de melancolias,
E adentro o velho quarto cheio de ironias,
Sentando-me na cama entregue à soledade.
 
E vendo o teu sorriso na foto embaçada
Atiro-lhe a bengala e após vê-la quebrada,
Corto os meus pulsos com esses cacos de saudade.
Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 03/10/2007
Alterado em 16/07/2015


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