C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley

Nizardo Wanderley

Cavaleiro Solitário

Textos


ACRÓSTICO
 
O - ontem já passou e o hoje quase finda
F - azendo com que eu veja com um certo preceito
U - m dia à minha frente num sonho imperfeito
T - razendo-me um receio mais cruel ainda...
U - zurpo a divindade e busco no abstrato
R - espostas infundadas, porém pertinentes,
O - nde nele eu projeto as dúvidas frequentes
N - o intuito de saber o que eu vou ter de fato.
A - h, Deus, a ansiedade me consome à alma,
O - sono se afastou e o medo me atormenta
N - as horas que o meu corpo inutilmente tenta
O - bturar as dúvidas, mantendo a calma...
S - em saber o que está à espreita dos meus olhos
P - areço uma criança sem a mãe por perto
E - moldurado nesse meu destino incerto
R - emando num oceano de trevas e escolhos...
T - entarei não pensar no que me espera à frente
E - viverei somente um presente de ardor
N - avegando nos mares da paixão fremente,
C - olhendo os doces frutos de um amor ardente
E - ardendo nas fogueiras desse estranho amor.
 
Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 30/09/2007


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