C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley

Nizardo Wanderley

Cavaleiro Solitário

Textos


O ÉBRIO...
 
Fugindo dos ardores da alma enfadada
Ele se delicia em seus tragos insanos
E esquece dos desgostos e males mundanos
Dormindo na sarjeta e em beiras de calçada...
 
O álcool é o caminho pro seu ataúde
Ao lembrar dos momentos onde ainda tinha
Seu lar, sua família, sua escrivaninha,
A mocidade, a vida, a pompa e a saúde...
 
E segue o desgraçado fétido e errante
Com seu olhar sombrio, corpo cambaleante,
Que vive por viver driblado pela sorte...
 
Sem rumo, sem amigos, sem mimos, sem arte,
Procurando a desgraça e o fel por toda parte
Pra ver, se assim, descansa nos braços da morte...
 
 
Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 25/09/2007


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