C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley


LILITH
Sua derme sedutora distribui fantásticos
Desejos n’outras mentes que a ela desejam
E sentem seu prazer quando sua boca beijam
Em odisséias tensas de sonhos orgásticos...
Seu cheiro atiça olfatos e invade os sentidos,
Ouriça pelos... Faz corpos suarem nus!
E o seu olhar felino enfeitiça e conduz
Invólucros de carne à perda dos sentidos...
Sou mais um dos que se perderam nos seus braços
Em fictícios ósculos vindos de abraços
Nas poluções noturnas onde vivo à míngua...
Lambendo a sua pele numa sede louca,
Mordendo a sua nuca, beijando sua boca
E bebendo sua seiva ao chupar sua língua!
Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 25/09/2007
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