C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley


CARTA CINZENTA
Lendo e relendo a carta que tu me escreveste
Lamento a cada letra por meus olhos lida,
Pois vejo que deixaste de ser minha querida
E tudo que eu te dei de bom tu te esqueceste...
Que pena! Só lamento que tenhas perdido
O senso de nobreza em tua ingratidão
Ao machucares tanto esse meu coração
Que apesar dessa dor não tenha te esquecido...
E agora no final das linhas que me torram
As lágrimas que eu verto às tuas letras borram
Sem permitirem que eu releia uma só linha...
Escreva uma outra carta desfazendo o dito!
Eu juro perdoar-te e finjo que acredito
Que erraste de endereço e a carta não é minha...
Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 24/09/2007
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