C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley

Nizardo Wanderley

Cavaleiro Solitário

Textos


SINTONIA

Quando tua boca úmida procura os meus
Lábios que se desmancham aos teus leves toques
O meu desejo implora pra que me sufoques
Enquanto eu sugo a seiva desses lábios teus...

E quando as tuas mãos deslisam e me invadem
O corpo que se rende e à tua derme implora
A fera incontrolável que chega e incorpora
Por entre as nossas línguas que em chamas se ardem...

Eu sinto que já te conheço de outras eras,
Talvez passamos juntos várias primaveras
E em todas essas vidas estive ao teu lado...

Estamos dando apenas continuidade
A esse amor que romperá a eternidade,
E que surgiu em algum lugar do passado!

 

Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 23/09/2007


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