C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley

Nizardo Wanderley

Cavaleiro Solitário

Textos


ANJO TRISTE

                       Ao meu autista preferido

A lágrima que escorre no inocente rosto
Da impúbere, sublime e angelical criança
Deixa-me combalido e age feito lança
Rasgando o coração que sangra de desgosto.

Que todos os teus males deixem tua alma
E se mudem pra minha, te deixando em paz
Pois só assim, meu filho, enfim, serei capaz
De ver teu santo riso devolver-me a calma.

A casa onde tu vives só ri com teu riso
Que se transforma em majestoso paraiso
E, às vezes, mar de trevas ao beber teu pranto

Mas quando a noite vem, o teu anjo da guarda
Senta-se em tua cama e paciente aguarda
Que durmas pra cobrir-te as chagas com seu manto.
Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 05/04/2019


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