C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley


MÓVITO...
Sinto-me como um feto a vagar na tormenta, Expulso do casulo austero e maternal... Rompera-se o funículo umbilical Que me trazia a vida através da placenta...
E a interrupção dolosa, a dura amblose Deixou-me o corpo inerte a tiritar de frio Nas laudas infecundas lidas no vazio Do livro de eutanásias dessa simbiose...
Restaram-me lembranças perpendiculares De osculatórios toques seguidos de olhares Vivenciados nos porões copulativos...
Que tanto nos trazia a paz interior Na glicose oportuna injetada com amor; - No falecido amor que nos mantinha vivos...
Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 14/09/2007
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