C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley


CHAGAS
Amei-te muito mais do que tu mereceste, Chegando a romper vínculos familiares Em prol do amor que um dia jogaste p'ros ares Com a personalidade vil que tu nasceste.
E hoje nada sinto, minto... Sinto nojo De mim, do meu passado, dos dengos e mimos, Das noites que abraçados por vezes dormimos E até a tua foto chega a dar-me entojo.
A vida é conflitante e cheia de magia, Mas como posso amar uma infeliz que um dia Necrosou-me os ventrículos com vil paixão?
Construíste uma casa com a tua vaidade, Sentaste um piso feito de infidelidade E cobriste com as telhas da ingratidão.
Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 14/09/2007
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