C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley


FERIDOS
Por mais que eu me deleite em leitos que me dão
O que negas em casa ao homem que inda é teu,
Não quero admitir que o nosso amor morreu
Nem devo ser expulso do teu coração...
Sentemos nessa cama ao menos um momento,
Desabafando as mágoas, dores, desenganos,
E todas as mazelas que ao longo dos anos
Causaram tal desgaste ao nosso casamento.
Juro-te que depois de havermos conversado,
Tentando reverter os males desse fado
E restaurando aquilo dito ao pé do altar...
Tentarei perdoar teus atos sem noção,
Mas se não conseguires me dar teu perdão
Atire as alianças no fundo do mar. Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 12/09/2007
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