C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley

Nizardo Wanderley

Cavaleiro Solitário

Textos


REFÉM...
 
No horrendo cativeiro sigo passo a passo
Nos dias sem sabor, madrugadas em vão...
Alimentando o meu orgulho à água e pão
Num regime letal que nutre o meu fracasso.
 
Num canto de parede, com os olhos vermelhos
Eu verto de minh’alma lágrimas imundas,
Formando um oceano de dores profundas,
Com os cotovelos rotos sobre os meus joelhos...
 
Esperando que a dama da foice me mate!
Já que nenhuma pena supera o resgate
Imposto pelo meu destino traidor...
 
Ou seja, me esquecer que um dia eu fui amado,
Sepultando um amoroso e infeliz passado
Passando a não viver feliz sem esse amor...
 
Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 04/09/2007


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