C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley

Nizardo Wanderley

Cavaleiro Solitário

Textos


TRILEMA
 
Dentro de mim habitam dois monstros errantes
Banhando-se de sangue n’ua batalha rara;
- Um tem nojo de ti, pavor da tua cara!
- E o outro te deseja em todos os instantes...
 
Tentando ser um pouco justo e imparcial
Eu atendo o “segundo” e busco por teu nome,
Mas o teu ser, estranho, de repente some
E o teu celular só dá caixa postal...
 
Então eu tenho que dar razão ao “primeiro”
Que se nega a sentir ao menos o teu cheiro,
Dizendo que o “segundo” enlouqueceu de vez...
 
E assim me resta apenas uma alternativa;
- Esquecer-te de vez e permitir que eu viva,
- Ou concordar com o tédio e matar todos “três”...
 
 
Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 02/09/2007


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