C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley

Nizardo Wanderley

Cavaleiro Solitário

Textos


TAPA DE LUVAS
 
Que ironia foi esta que trouxe a mim
Alguém que havia sido o fim do meu começo?
Pois conseqüentemente eu também não me esqueço
Que foi o dito alguém, o início do meu fim...
 
Com o pedalar dos anos a vida eu refiz
Conseguindo viver, melhor, sobreviver
Distante do teu vulto que fez florescer
Aquele morto amor que me fez tão feliz...
 
Já que estás do meu lado e pedes que eu te ajude
Confesso-te que te amei muito mais que pude
E hei de te acolher e estancar-te a dor...
 
Aqui terás comida, teto, afeto e abrigo,
Meu peito acolhedor e os mimos de um amigo,
E tudo o que quiseres... Menos meu amor!
Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 24/08/2007
Alterado em 01/09/2007


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