C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley

Nizardo Wanderley

Cavaleiro Solitário

Textos


ANJO PERDIDO
 
Voaste bem mais alto do que deverias
Ao lado de outro que ludibriou teus sonhos
Levando-te em silêncio, bêbada em magias,
A percorrer caminhos tristes e enfadonhos.
 
Vivias tão feliz em teu mundo indeciso,
Sem juras mentirosas, nem promessas cálidas...
E hoje, além de não de não ter paz, perdeste o riso,
Vertendo as tuas lágrimas nas faces pálidas.
 
 
E hoje o teu silêncio e o teu olhar esférico
Acompanham teu corpo inerte e cadavérico
Na imensidão das cinzas desse lago eterno...
 
Perdida entre lembranças, vagas em teu fel;
- Sem poder retornar pra calma do teu céu,
- Sem querer carregar na alma o teu inferno...
Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 28/07/2007
Alterado em 23/09/2010


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