C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley


DERROTA
Vendo-lhe hoje passar com outro que se diz
Apaixonado, ocupando o coração seu...
Pensei com os meus botões: - Parece estar feliz
Com esse seu novo amor que sufocou o meu.
Segui-lhe passo a passo, você nem me viu
E morri de ciúmes, me senti cortado
Quando o seu homem, amante, sei lá... Namorado
Beijou a sua boca, deu tchau e partiu.
E eu vi no seu olhar o sabor da conquista
Com seus braços cruzados e estendendo a vista
Sorrindo docemente e dando com a mão
Praquele que invadiu seu mundo e lhe fez presa
E me atacando pelas costas, de surpresa,
Removeu-me das cavas do seu coração.
Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 27/07/2007
Alterado em 18/02/2015 Comentários
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