C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley

Nizardo Wanderley

Cavaleiro Solitário

Textos


MONÓLOGO
 
Uma andorinha só não provoca verão,
Assim como eu não posso sozinho plantar
Uma semente de amor no teu coração
Obrigando-te a me querer ou me adorar...
 
Se um coração não sente química, atração,
O outro, resignado, deve sucumbir-se...
N’um relacionamento que não há tesão,
A convivência esfria e tende a esvair-se.
 
Mas como a esperança é a última que morre,
Eu vou torcer e ver se o tempo me socorre
E faz com que tu vejas nas sombras soturnas...
 
O mendigo de amor que implora a tua esmola,
O peito que se queima e de pavor se esfola
E o louco que te caça em poluções noturnas...
 
 
Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 26/07/2007


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