C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley


ENTULHOS Nada restou... E até a árvore que havia Em frente à minha casa sombreando a rua Tombou sobre a calçada, e de saudades tua A lua se escondeu e o sol rompeu com o dia... As flores tão vermelhas, empalideceram... Estrelas decaíram do teto do céu, As águas do oceano têm sabor de fel E os pássaros seresteiros emudeceram... E entre esses destroços, fúnebres escombros... Ficou somente a cruz que eu levo sobre os ombros Na via-crúcis dessa expedição fatal! E uma caixa de fósforos sobre a janela, Para dar vida um dia a tenebrosa vela Que servirá de tocha no meu funeral. Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 26/07/2007
Alterado em 07/10/2010 Comentários
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