C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley


PRAGA
Quem sabe um dia eu crie vergonha e me afaste...
Deixando de ligar pra ti de madrugada,
Pois só assim eu sairei desse desgaste
Que me transforma em lixo, em dissabor, em nada...
E sairei do lago de dor e vexame,
Sem álcool, nicotina e tudo que me mata,
Amando tão somente àquela que me ame,
Sepultando de vez, essa que me maltrata...
E nunca mais tu irás ouvir o nome meu...
Mudarei de endereço e esquecerei o teu,
E em outras bocas hei de achar um belo fim...
Torcendo pra que encontres uma alma malvada
Que te resuma, a pó, à amargura, a nada...
Devolvendo-te o mal que tu fizeste a mim!
Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 25/07/2007
Alterado em 25/07/2007 Comentários
|