C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley


RECAÍDA
O resto do que eu fui quando inda a vida tinha
Vivida ao lado teu, hoje de dor se corta...
E minh’alma ferida que arde e se definha
Senta-se em teu batente e bate à tua porta.
Porém nada te pede, tudo já foi dito
No último diálogo que enegrecera
Aquele dia longo, pálido e maldito
Onde sem assistência, o nosso amor morrera.
Não pegues nessa chave! Deixes que a amargura
Pernoite do outro lado, pois a criatura
Que tremendo de frio ainda teu nome chama...
Vai só tomar teu tempo e repetir mil vezes
Aquilo que escutaste durante onze meses;
-Amada, aqui está o homem que te ama!
Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 23/07/2007
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