C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley


MINHA AMIGA
E eis que aqui está minha fiel cadela;
Nem conta os meus segredos e nem me aperreia...
Não discute, não briga, nem faz cara feia
E eu nunca vi um olhar sincero como o dela.
Ás vezes eu reclamo, fico puto, brabo
Quando ela está rasgando roupas ou latindo,
E mesmo que eu a grite ela me vem sorrindo,
Jogando-se a meus pés e abanando seu rabo...
Não tem orkut e odeia salão de beleza,
Nem mente, nem fuxica, nem faz safadeza,
É uma fêmea limpa de reputação...
Nem sabe o que diabo é “MSN”
E estando no cio, mesmo que um cão acene,
Ela me olha, senta e espera a permissão.
Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 22/07/2007
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