C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley

Nizardo Wanderley

Cavaleiro Solitário

Textos

INSEGURANÇA

Saíste cedo, nem me despertaste...
E eu acordei tão triste e tão carente
Que nem o edredom tão grosso e quente,
Afugentou o frio que deixaste.

Dez horas...Onze, meio-dia, uma
Hora da tarde, duas, quase três!
E a insegurança, ou ciúme, talvez,
manda meu ser ligar, dizendo: suma!

Atendes teu celular, dizes: Oi...
Eu me derreto, e a solidão já foi
Chamar de volta o amor que tinha ido

Agasalhar-se dentro de uma rede
Batendo com o pezinho na parede
Feito um menininho, todo encolhido.

(Nizardo Wanderley)
Poesia registrada.
Xerinho.
Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 13/07/2007


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