C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley

Nizardo Wanderley

Cavaleiro Solitário

Textos


SEM SONO

Perdi o sono! E cheio de angústia no peito,
Fui revirar u’a velha e empoeirada caixa
Que estava sob a cama, envolta numa faixa
Dentro de uma gaveta, ao meu lado direito.

Acendi um cigarro, cruzei minhas pernas
E retirando a tampa com bastante afago
Comi a nicotina e o alcatrão de um trago
Ao ver coisas que abriram feridas internas.

E entre alguns bilhetes, retratos, cartões,
Medalhas com teu nome, letras de canções...
O tédio me invadiu, e à dor não dominei

Quando abri a caixinha de música, antiga...
Presente do meu ex-amor (hoje inimiga)
Que me levou aos prantos, tocando: “MY WAY”

Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 13/07/2007
Alterado em 21/07/2011


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