C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley


AMOR DE GATO
Esfrega-se em meus pés e nas pernas se entrança, Corre pro meu reduto e na cama se deita... Declarando (em miados) a paixão perfeita, Cercada pelos seus encantos de criança... Mais eis que de repente me morde e me azunha, Sem nada eu lhe fazer, sem nada lhe falar... E espalha a sua ira e sai louco a miar Sem motivo aparente e sem razão nenhuma... E eu saio à tua caça, sou um gato safado Que morde a tua nuca em cima do telhado E afoga as suas mágoas dentro do teu cio... Depois volto pra casa e te abandono lá, Entro bem caladinho e deito no sofá... Sentindo-me tristonho, carente e vazio. (Nizardo Wanderley) Poesia registrada. Xerinho.
Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 10/07/2007
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