C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley


ÚLTIMA MORADA
Vivendo na inquietude das fantasmagóricas Serpentes tenebrosas que picam a essência E destilam veneno em minha consciência Sem permitir a ampla defesa ou retóricas... Eu sigo em desalinho pelo espaço etéreo Na imensidão da dor que me rasga e extermina Com a alma entregue à sorte e a vida exposta à sina De um colossal cortejo lúgubre e funéreo... E nada me restou, ninguém escuta o grito Do meu peito infeliz que cai podre e contrito N’um último suspiro e bate em retirada... Amigos? – Me sobraram, quatro, entre os escombros! E são eles que vão me carregar nos ombros Pros vermes que me esperam n'última morada... (Nizardo) Poesia registrada. Xerinho.
Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 09/06/2007
Comentários
|