C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley


NÃO ME PRIVE DE VOCÊ...
Diga o que quiser comigo, Fale que eu sou seu castigo E só lhe causo aperreio... Só não me deixe vazio, Sem poder matar meu frio No aconchego do seu seio... Faça tudo que eu detesto, Diga ao mundo que eu não presto Me chame do que quiser... Mas não me deixe infeliz Ao tirar do meu nariz Seu cheirinho de mulher... Me adjetive de peste Vagabundo, cafajeste, Falso, vil e traidor... Mas não me deixe sofrendo, Tomando cana e roendo Em busca do seu amor... É melhor morrer queimado, Vendo meu corpo espalhado Na superfície do solo... Do que viver com amargura Me lembrando da quentura Que só existe em seu colo... Me azunhe, me arranhe, me bata! Pois essa mão que maltrata Esse, que por você geme... É a mesma que eu aliso, Beijo, lambo, suavizo, Massageio e passo creme... Se isso lhe mata à tara, Escarre na minha cara, Nessa raiva compulsiva.. E eu passarei calmamente A minha linguinha quente Bebendo sua saliva... Pode cortar minha rede, Me atirar na parede, Que eu perdôo vosmecê... Acabe com os sonhos meus, Mas mô! Pelo amor de Deus NÃO ME PRIVE DE VOCÊ... (Nizardo) Poesia registrada. Xerinho.
Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 03/06/2007
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